A Pegada de Carbono como ferramenta de gestão e comunicação

Natalia Drault – Ignacio Barutta

A mudança climática é um dos maiores desafios a serem enfrentados globalmente. Todos somos parte da solução, e por isso é fundamental contar com ferramentas que facilitem a gestão e comunicação de uma estratégia climática. Todas as empresas, independentemente do porte ou setor, podem fazer a diferença.

Após mais de 30 anos da criação da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC), é possível observar diversos fatores que impulsionam a ação. Entre eles, e o mais importante: as evidências que confirmam que a mudança climática global se acelera por causas antrópicas. Este é um fato indiscutível.

O Acordo de Paris — por meio do qual os países signatários se comprometem a implementar estratégias de redução de emissões — vem incorporando cada vez mais elementos regulatórios em níveis nacional e local, impulsionados pela necessidade de cumprir suas metas (Contribuições Nacionalmente Determinadas - NDCs). Além disso, consumidores demandam produtos de baixo carbono, clientes exigem que seus fornecedores gerenciem emissões de gases de efeito estufa (GEE) e regulações impactam cada vez mais as operações empresariais.

O primeiro passo para definir uma estratégia climática robusta é entender de onde partimos — ou seja, conhecer a Pegada de Carbono gerada pelas nossas atividades. Calcular a Pegada de Carbono implica identificar fontes de emissão diretas (sob controle operacional) e indiretas (sobre as quais há influência, mas não controle), como emissões de fornecedores ou clientes.

As emissões diretas são classificadas como Escopo 1, as emissões indiretas por energia adquirida como Escopo 2, e todas as demais emissões indiretas como Escopo 3. Normas como a ISO 14064-1 complementam essa classificação ao definir categorias específicas.

Uma vez identificadas as fontes de emissão e disponíveis os dados de atividade (como consumo, distâncias, potência, tempo de uso, etc.), seleciona-se o método de quantificação mais adequado com base em metodologias internacionalmente reconhecidas. Isso permite calcular as emissões de gases de efeito estufa geradas por cada atividade. Essa quantidade reflete o potencial de impacto climático, que pode ser associado às atividades por meio de indicadores como a intensidade de carbono — tanto no nível organizacional quanto de produto.

Ao mesmo tempo, esse indicador pode ser analisado em diferentes níveis:

  • Por tipo de fonte de emissão (ex.: combustão estacionária, vazamentos de gases refrigerantes)
  • Por setor (produção, logística, etc.)
  • Unidade de negócio
  • Sites
  • Etapas do ciclo de vida (upstream, core, downstream)

A análise da intensidade de carbono desagregada permite identificar oportunidades de redução de emissões e definir uma estratégia climática. Cada organização estabelece metas de redução alinhadas aos seus compromissos, frequentemente baseadas na limitação do aquecimento global a 1,5°C ou 2°C (metodologia Science Based Targets).

Essas metas de redução exigem a definição de ações ou projetos de redução de emissões por meio dos quais se buscará alcançá-las.

Dessa forma, é possível realizar o monitoramento da Pegada de Carbono para compreender o impacto dessas atividades ou projetos na mitigação da mudança climática.

Gerenciar a Pegada de Carbono e identificar oportunidades de redução também pode gerar economia, especialmente ao reduzir o consumo de energia, materiais e recursos — gerando impactos positivos ao longo da cadeia de valor.

A ação climática é cada vez mais avaliada pela sociedade. Um bom desempenho climático fortalece a reputação da empresa junto aos stakeholders (clientes, investidores, colaboradores). Provedores de capital estão cada vez mais alinhados com a transição para uma economia de baixo carbono, tornando a sustentabilidade essencial para o crescimento de longo prazo.

“Estamos ficando sem tempo, mas não sem opções para enfrentar a mudança climática.”

Natalia Drault
COO & CO-Founder de LEAF

Ignacio Barutta
CEO & CO-Founder de LEAF

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